quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Contando uma experiência - Ocarina of Time: O arquivo abandonado


Antes de começar, eu gostaria só de dizer que essa é uma postagem bem diferente daquilo que faço aqui no Hyrule Map. Diferente de um guia, ou de um artigo onde eu tento falar de coisas dentro do jogo, isso aqui é apenas uma experiência pela qual passei recentemente (leia-se: ontem) que envolve um jogo de Zelda! É, eu sei que não costumo fazer esse tipo de coisa aqui (posto coisas assim no meu blog pessoal, mesmo), mas, mesmo assim, achei que seria bacana compartilhar essa história com vocês. Eu não sei se vale escrever algo assim por aqui, então, bem, deixo esse julgamento com os nossos caros leitores!

COMO TUDO COMEÇOU...


Comprar uma cópia do Ocarina of Time original para ser jogada no meu Nintendo 64 era algo que estava em mente já fazia um tempo... Por mais estranho que isso possa parecer, eu apenas joguei essa versão em relançamentos (no GameCube, ou no 3DS, algumas vezes via emulador ou pelo Virtual Console); nunca no console para qual o jogo havia sido feito originalmente. Estranho para um cara que tem esse jogo como o seu favorito, eu sei!
Por isso mesmo, e aproveitando o fato de que Ocarina completará 20 anos em 2018, achei que este era o momento perfeito para finalmente pôr minhas mãos na versão original do jogo.
Apesar de não ter ido atrás de um cartucho dourado (especialmente porque os nojentos custam praticamente o dobro do preço do cartucho cinza), eu fiquei absolutamente estático quando o jogo finalmente chegou, e me coloquei para jogá-lo! Inclusive, e por algum motivo que eu ainda não conheço, acabei gravando todo o processo de tirar o cartucho do mar de proteção que eles colocam, então, se vocês quiserem, eu posso mandar o vídeo lá pro nosso canal.

Quando eu coloquei o jogo e o liguei (e senti um BANHO de alívio ao ver que funcionava), me surgiram três arquivos já ocupados do jogo, chamados "Link", "Yan" e "Sarah", respectivamente. Dei uma olhada dentro de cada um para ver o que eles tinham completado do jogo e, bom, o resultado foi interessante.
Yan tinha concluído o Water Temple, mas, já tinha parado ali. A Sarah, por algum motivo, havia parado logo depois de terminar a Inside the Great Deku Tree. O Link, por sua vez, tinha o jogo mais completo de todos, com dezenove corações, todos os medalhões, e uma partida aparentemente sem falhas.

Por curiosidade, decidi entrar no jogo dele e ver onde ele tinha parado, exatamente, e não fiquei surpreso ao ver que ele estava já dentro de Ganon's Tower. O que me chamou atenção, no entanto, foi o fato de que ele já tinha praticamente tudo que o jogo tinha a oferecer: 100 golden skultullas, todos os feitiços, a Golden Scale, a Biggoron's Sword, as Ice Arrows, os quatro potes e, como pude ver depois, ele tinha aumentado a quantidade até dos Deku Sticks e das Deku Nuts. O que estava faltando no jogo dele, no entanto, eram apenas dois pedaços de coração. Só isso.

Minha intenção inicial era justamente apagar aquele arquivo. Afinal de contas, não era meu, muito provavelmente ele tinha sido executado há muito tempo, e, honestamente, não havia razão para deixá-lo ali...

No entanto... Eu fiquei pensando sobre aquele arquivo por um tempo. Apenas dois pedaços de coração, eu pensei... Dois pedaços... Quais seriam eles? Será que o jogador realmente tinha feito TUDO no jogo? Talvez sim, talvez não! Quem ia saber?!

A curiosidade acabou sendo muito grande e, bem, ao ver que uma pequena jornada para chegar a uma descoberta poderia gerar uma boa história, fiz a minha decisão: eu iria jogar naquele arquivo e ir em busca dos dois pedaços de coração que estavam faltando! Afinal, eu tinha terminado o jogo tantas vezes, não seria um problema relembrar de todos os pedaços... Certo...?

PROCURANDO O DESCONHECIDO

Depois de fazer minhas obrigações, sentei, e me coloquei para procurar por eles. Para ter certeza de que o jogador misterioso tinha feito tudo, no entanto, me teleportei para Kokiri Forest, e corri para a casa do Link. Lá dentro, acabei rindo ao ver que ele tinha adquirido a Vaca Lon Lon, assim como fiquei surpreso em ver, no "livro dos recordes" do Link, que ele tinha feito até mesmo a corrida com o maratonista (algo que, honestamente, não leva a nada, e é apenas para gravar um recorde). Agora, eu sabia que ele tinha ido à distância. Mais ainda, foi aqui que eu vi que ele tinha conseguido 30 Deku Sticks e 30 Deku Nuts. Isso me deixou um pouco surpreso, mas, admito, um tanto feliz. O trabalho do antigo dono do cartucho era certamente admirável!

Foi daqui que comecei a explorar o jogo em busca dos tais corações. Comecei logo por alguns que considerei os mais difíceis ou mais obscuros, como aqueles que só se pode coletar com uso dos Magic Beans, ou os mini-games que envolviam músicas de Ocarina, como o dos dois Skull Kids. Eventualmente, eu passei dos que eu achava mais obscuros para os mais difíceis, para os que requeriam que se terminasse um certo jogo, e por aí vai. Passei aproximadamente umas duas horas brincando com isso, procurando, analisando, me perguntando quais possíveis pedaços de coração poderiam ter sido deixados de lado. Fui até para o mini-game de pesca com o Young Link, pensando que, se ele teve paciência para completar o mesmo mini-game como Adult Link, certamente foi porque ele pulou essa parte antes... E ele pegou lá também.

Logo comecei a me perguntar: "que pedaços de coração eu não saberia pegar, ou não teria paciência para tentar de novo?". Nem preciso dizer, minha mente correu logo para o jogo com o Dampé, onde você precisa pagar 10 rupees para que ele cave em pontos específicos do cemitério. Esse sempre foi um jogo bem chato e que pode demorar muito tempo. O que me fez desistir daqui foi falar com Dampé e perceber que ele não tinha uma fala introdutória: ele ia direto para sua oferta de 10 rupees. Joguei um pouco com ele, mas, considerando o que acabei de dizer, decidi seguir em frente.

Oh, Epona, como você me ajudou nessa corrida no escuro!
Continuei minha jornada, pensando nos jogos mais chatos ou mais monótonos... Comecei a pensar até em pedaços de coração que estariam bem fora do caminho. Pedaços que não seriam vistos facilmente, ou que exigiriam que o jogador se afastasse de seu caminho comum para achá-los.
Foi nessa linha de pensamento que achei o primeiro deles.

O pedaço de coração localizado debaixo de uma árvore, na região noroeste de Hyrule Field: lá estava ele. Debaixo d'água, esperando todo aquele tempo por um jogador que o encontrasse! Uma estranha sensação de alegria e triunfo tomou conta de mim. Eu havia imaginado a trilha que outro jogador tomou, e previ um caminho que ele provavelmente não teria tomado. Lá estava o primeiro pedaço de coração!

Mais confiante do que antes, imaginei que o segundo pedaço de coração seria mais fácil de achar. Explorei a região de Gerudo Valley, completamente crente de que iria achar algo lá, mas, acabei me enganando.
Continuei minha exploração, indo para o Lago Hylia, a floresta, a montanha, passado e futuro! Mas... Não tive tanta sorte.

Finalmente, desisti, e fui olhar o guia que escrevi há vários anos sobre onde cada pedacinho de coração estava escondido. Reli a lista por cima e, bem, além de achar que ela estava errada (acabei fazendo duas descrições um tanto muito semelhantes, apesar de ambas estarem ainda corretas), procurei a mãe de todos os guias de Zelda, o guia do Zelda Dungeon, e, mesmo com ele, não senti que tive muita sorte.
Tomei a decisão de ir atrás justamente dos Pedaços de Coração que requisitavam Magic Beans, e começar a explorar a partir de lá. Se não estivesse nesses lugares, eu realmente não saberia o que fazer. Ou, aliás... Saberia.

Fui para Death Mountain Crater, Lake Hylia e Desert Collossus, mas, todas as vezes, os pedaços de coração já haviam sido pegos. O antigo dono daquele cartucho certamente fez um trabalho excelente em termos de coletar tudo! E, estranhamente, algo me dizia que ele, ou ela, não tinha utilizado um guia... Digo isso porque, quando fui explorar também a Ice Cavern, notei que o gelo vermelho de lugares completamente descartáveis também havia sido queimado pelo fogo azul. Me parece apenas que algo desse tipo seria feito por um perfeccionista, ou por alguém que esperava resultados daquilo. Quem sabe, não é?

Foi depois de tudo isso que minha mente se focou no jogo do Dampé de novo. Algo veio à mente: "Se há um pedaço de coração que alguém desistiria de pegar, é esse do cemitério." O motivo que tenho é simples: diferente de tantos outros mini-games pouco interessantes do Ocarina of Time, esse tem muita base em sorte. O lugar onde o Pedaço de Coração pode estar é completamente aleatório! E se o jogador anterior tivesse feito aquilo, sentido a ilusão de que já deve ter pego antes e não lembra, visto que ele simplesmente não conseguia nada além de rupees, e seguisse em frente? Mais ainda: se ele não tivesse usado um guia, ele acharia que aquilo não teria outro propósito que não adquirir rupees! Ou, ainda mais ainda! E se ele achasse todo aquele jogo simplesmente mórbido e macabro e decidiu que não queria fazer parte daquilo e foi embora?! ... Talvez não essa última, mas, acho que apresentei meus argumentos.


Estava decidido! Eu voltaria ao jogo de Dampé, e não sairia de lá até ter certeza de que o que eu procurava estava ali. Fiz exatamente isso.
Me deparei com Dampé, e começamos de novo. Cavamos alguns buracos, e nada aparecia além de rupees. No entanto, eu estava sentindo que aquele era o lugar correto! Tinha de ser! Eu havia explorado todas as outras possibilidades! Cada lugar, cada caixa, cada baú! Estava tudo feito! Só podia estar faltando aquilo ali! Tinha de ser! E era ali.
Quando eu escutei aquele jingle de algo grande descoberto, eu tenho a impressão de que parei até de respirar por um instante... E então, lá estava! O último pedaço de coração! A última parte daquele grande quebra-cabeça!
Assim que vi os vinte corações completos, admito, foi uma sensação muito boa... Quase como resolver um quebra-cabeça difícil, ou descobrir algo que ninguém tinha notado antes... Eu disse "quase"!

Apesar do sucesso, eu não salvei o jogo. Não salvei nada. Esse tinha sido um pensamento que cultivei logo no começo da minha jornada: não deixei traços de que passei ali. Deixei o jogo do jeitinho que ele estava quando eu o encontrei. Por algum motivo, isso me pareceu mais digno e mais respeitoso do que simplesmente adicionar um progresso feito assim, ainda mais por uma pessoa diferente.

Sabe, uma das coisas que fiquei pensando enquanto andava de um lado para outro de Hyrule foi justamente sobre quem teria sido o dono do cartucho antes de mim... Os nomes dos outros arquivos, Yan e Sarah, certamente me fizeram pensar que, talvez, um dos dois fosse o mesmo que jogou o arquivo de Link, antes de mim... Eu podia até imaginar o porque de esse dono ter tido um jogo tão completo assim...
Talvez, Yan e Sarah podiam ser um par de irmãos, talvez o Yan fosse mais empolgado em relação ao jogo do que a irmã, o que explicaria o motivo de seu arquivo estar tão avançado se comparado com o dela... Talvez cada um deles fossem donos diferentes do mesmo cartucho... Existem muitas possibilidades, honestamente, e, bem, para uma simples narração de experiência, não cabe aqui explorar cada uma delas.
O que posso fazer é tirar o meu chapéu para o dono anterior do cartucho e, bem, parabenizá-lo por ter conseguido fazer tanta coisa, mesmo deixando dois pequenos elementos para trás.

Como eu havia previsto, foi uma jornada interessante. Basicamente, tive que fazer um trabalho de detetive, visualizando o que poderia ter sido feito antes, e o que não foi feito. Acho que esse também foi um fator que me levou a fazer essa tarefa, para começo de conversa: jogar um arquivo de alguém que eu nunca conheci, e tentar descobrir justamente o que ele tinha feito e deixado de fazer. Para alguém acostumado em simplesmente tentar lembrar onde ele parou, não ter como fazer isso em um jogo quase completo foi certamente mágico, mesmo que não tenha durado muito tempo...

Seja como for, essa foi a primeira experiência que tive com esse cartucho, e é certamente outra experiência que tive com Ocarina of Time no geral!
Mas, agora, eu quero saber! Vocês tiveram alguma experiência interessante ou surreal com jogos no passado? Talvez algo que vocês acham que vale a pena compartilhar? Se a resposta for sim, fiquem à vontade para falar disso nos comentários! Muito obrigado, e até a próxima!

Nenhum comentário:

Postar um comentário